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Liderança & Gestão 30 de set. de 2026 6 min

A Essência da Manufatura: lições de competitividade com líderes de Embraer, GM, John Deere e outras gigantes da indústria.

Participei do 18º Simpósio SAE Brasil de Manufatura, que reuniu em Caxias do Sul lideranças de algumas das principais indústrias do país. Os cases mostraram: competitividade se constrói com método, tecnologia e pessoas — nessa ordem.

GG

Gabriel Galle

Gestão Industrial & G&G Consultoria

Participei do 18º Simpósio SAE Brasil de Manufatura, que reuniu em Caxias do Sul lideranças de algumas das principais indústrias do país sob o tema “A Essência da Manufatura como Alavanca de Competitividade: Redirecionando Estratégias e Práticas Frente ao Cenário Econômico, Tecnológico e Humano”.

O título é longo, mas o recado é curto: a indústria brasileira está diante de um cenário que exige repensar a forma de operar — e os cases apresentados mostraram que isso já está acontecendo na prática.

O cenário: desafios que não escolhem ramo

Tarifas e barreiras comerciais redesenhando mercados. Escassez de mão de obra qualificada. Regulações cada vez mais exigentes. E uma corrida tecnológica — impulsionada pela inteligência artificial — que não espera por ninguém.

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O que ficou claro desde o painel de abertura: esses desafios são transversais. Não importam o setor, o porte ou o produto. A aeroespacial, a automotiva, a fundição e a agrícola enfrentam, em escalas diferentes, as mesmas pressões.

O que os números dos cases revelaram

Os resultados apresentados ao longo do dia mostraram que competitividade se constrói com método, tecnologia e pessoas — nessa ordem:

  • Mais de R$ 200 mil em economia gerados com Kaizens simples no chão de fábrica, com custo quase zero — apenas PDCA e times engajados.
  • 17% de redução de downtime e 47% menos horas extras não programadas, a partir de dados confiáveis e padronizados na produção.
  • 28% de redução de inventário com inteligência artificial aplicada ao core do negócio.
  • 66% dos postos críticos de ergonomia resolvidos, em um programa que avaliou mais de 700 estações de trabalho.
  • E uma diretriz que resume a filosofia de todo o evento: não automatize desperdício — elimine e simplifique antes de automatizar.

Repare no padrão: nenhuma dessas conquistas começou pela tecnologia. Todas começaram pelo entendimento do processo.

A lição central: a tecnologia amplifica o sistema

Se eu tivesse que resumir o evento em uma frase, seria esta:

A tecnologia amplifica o sistema. Ela não substitui método, propósito nem liderança.

Quem automatiza o caos só consegue um caos mais rápido. Quem estabiliza o fluxo, padroniza o trabalho e desenvolve pessoas primeiro constrói a operação que a IA vai potencializar.

E é aqui que o Lean Manufacturing reafirma seu papel: foco no que agrega valor, eliminação de desperdícios, melhoria contínua diária no chão de fábrica. Indústria 4.0 não é o fim do Lean — é o Lean com superpoderes.

Reconhecimento

Nada disso aconteceria sem as lideranças que generosamente compartilharam suas experiências:

Thiago Stetner (Embraer), Marcos Fonseca Oliveira (Hyundai Motor Brasil), Armando Ceccato (Tupy), Andreia Pinto (Volvo do Brasil), Juliana Aere (John Deere), Robert Pavani (Astemo), Renato Kazuo Murakami (KION South America), Rafael Vagliatti (Tramontina) e Ricardo Urbano (General Motors).

Às mediações de André Dupont (Produttare), Ailson Marques (Dassault Systèmes) e Leandro Andreatta (IHR), à condução do chairperson Alfredo Lorenzoni (Frasle Mobility), e à organização da SAE BRASIL — meu agradecimento.

A programação ainda incluiu visitas técnicas a duas referências da indústria, conectando o conteúdo apresentado à prática do chão de fábrica.

Por que estar conectado ao que acontece no setor importa

Deixo a reflexão que levei do evento:

Independentemente do ramo ou do tamanho da empresa, os desafios do setor são os mesmos — o que muda é a escala.

Quem se conecta ao que acontece na indústria — em eventos, painéis e networking — enxerga tendências antes, aprende com quem já enfrentou o problema e volta para a operação com ideias prontas para aplicar.

Ficar dentro da própria fábrica é confortável. Mas é fora dela que encontramos as referências que aceleram nossa evolução.

E a sua operação?

Como sua empresa está equilibrando método e tecnologia diante desse cenário? Deixe sua experiência nos comentários.

#Manufatura #Competitividade #LeanManufacturing #Indústria40 #SAEBrasil #GestãoIndustrial

E a sua fábrica — em qual nível está?

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